1.11.10

Ela, a faca, o desafio

Ela suava frio, e mal havia pensado em começar, já não sabia mais o que fazer. Anoiteceu. Com a noite vem o medo, as sombras e pensamentos mais sinistros lhe habitam.

O perigo que algo aconteça de mal e a chance de dar tudo errado são enormes. E agora? As gostas de suor já não têm mais controle, e saltam sem pára-quedas em alta velocidade contra o chão. Ela sabe o que tem que fazer, mas não se convence. Precisa ter certeza.

O sol se esconde no horizonte, e agora seu desafio é sua maior companhia. Ela vai lentamente secando o suor com seu lenço bordado, presente da avó poucos dias atrás. Rapidamente o paninho branco e perfumado se torna um trapo de cheiro forte.

Ela começa a juntar suas coisas, mas não sabe se deve fazer isso. Seu medo já foi embora, e agora lhe resta a sede de desafio, de vencer uma batalha que deveria ter começado há duas horas atrás. E é sua coragem quem vence a briga.

A faca enorme e cheia de sangue descansa sobre a mesa. Agora está feito, não tem mais volta.

- Ô mulher, a galinha ficou salgada!

Ele não sabe mesmo como é difícil matar uma galinha.

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