Tem um dia na vida que a gente olha pro lado e precisa mudar tudo. Isso aconteceu comigo há uns seis meses quando saí de um ótimo emprego, numa agência multinacional, pra trabalhar num quarto apertado, ganhando muitíssimo menos, e matando um leão por dia.
Chega uma hora que dá no saco ser criativo, na boa. Enche a paciência ter que criar coisas legais, imaginar soluções interessantes para tudo. E começo a me odiar quando me pego folheando uma revista ou vendo um maldito comercial na TV pensando se eu faria melhor, se realmente ficou bom, etc etc etc.
Porque é um porre, meu amigo, você saber que pode fazer a diferença, que tem força, que tem poder, que sabe e pode. Mas que na verdade não pode. Porque a gente vive no mundo do comércio, as pessoas se odeiam, engolem umas às outras por interesse, fazem amizades contigo sem nem se importar com você.
É o tempo do capital. E chega uma hora que algo acontece na sua vida que você repensa essa merda toda que tu tá envolvido, cara. Essa hora chega, ah se chega. Mas só chega pra quem tem a mente aberta, pra quem aceita as coisas que a vida entrega na porta da gente.
Chega uma hora que o trabalho perde a prioridade na sua vida, mas é tarde demais para você desfazer a cagada que fez, e não poderá mais ver os primeiros passos do teu filho, a primeira maquiagem da sua menininha, e muito menos poderá apagar com photoshop as layers indesejadas no layout da sua vida.
A vida não é um PSD. Não tem "Magic wand".
E o que mais odeio nesse papo todo é saber que não dá pra se livrar, é um caminho sem volta. Meu Deus, me ajuda. Essa maldita vocação é como uma droga, que te faz sofrer, passar por caminhos tortuosos, mas te traz êxtase, te faz sair do corpo em certos momentos, e ter experiências inenarráveis, transcendem a realidade das ruas, do povo, do tudo.
É escuro meu caminho para o futuro inoxidável.
20.4.09
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