27.6.11

Mais online que deveria

Pensei que eu ficaria um ano sem postar. Bati na trave - a última foi em outubro do ano passado, e cá estamos no finalzinho de junho, vários meses depois...

Muitas experiências vividas por mim ou por pessoas ao meu redor me fizeram crer que o silêncio é uma ótima opção, especialmente no meio online. Descobri como é fácil criar inimigos e desafetos. É impressionante como há uma facilidade peculiar na web em destruir amizades também.

Sim, vivemos no tempo do "social", mas a plataforma do Blogger não parou de crescer. Pelo contrário, virou tradição e seu logotipo virou o ícone em diversos sites para o blog da empresa - mesmo que seja powered by wordpress.

E nestes tempos do "social", pasme, eu acredito no "anti social" :-D Pode parecer loucura, mas não é não senhor. Me amarro em tuittar o que estou pensando ou fazendo, mas é importante haver moderação. Uma pessoa pode facilmente se expôr demais em seu Facebook, e através de seu conteúdo devidamente selecionado por ela mesma, pode passar a impressão de ser uma pessoa socialmente ativa, rica, feliz... Mas a gente sabe que os seres humanos de verdade que vivem ao nosso redor, ou melhor, os seres humanos que eu conheço e me cercam, não são ricos, não são lá muito felizes, e suas vidas sociais são bastante resumidas.

Estou querendo dizer com tudo isso que as redes sociais são a maneira mais fácil de se ter uma vida de sonhos e vender essa ideia para os outros. Isso pode ser bom ou ruim, cada um sabe de si.

Fiquei esse tempo todo sem blogar por causa disso. Não quero me expôr, não estou a fim de ouvir / ler coisas que venham me ofender sem motivo. Gosto de críticas construtivas de gente que está procurando meu bem, mas odeio críticas de gente sem respaldo que no fim das contas só quer me derrubar. Oras, você, leitor, não é assim? Quem gosta de verdade em ouvir reclamações?

Quando se está online, meu camarada, tudo pode e será usado contra você. Este no tribunal ou não.

1.11.10

Ela, a faca, o desafio

Ela suava frio, e mal havia pensado em começar, já não sabia mais o que fazer. Anoiteceu. Com a noite vem o medo, as sombras e pensamentos mais sinistros lhe habitam.

O perigo que algo aconteça de mal e a chance de dar tudo errado são enormes. E agora? As gostas de suor já não têm mais controle, e saltam sem pára-quedas em alta velocidade contra o chão. Ela sabe o que tem que fazer, mas não se convence. Precisa ter certeza.

O sol se esconde no horizonte, e agora seu desafio é sua maior companhia. Ela vai lentamente secando o suor com seu lenço bordado, presente da avó poucos dias atrás. Rapidamente o paninho branco e perfumado se torna um trapo de cheiro forte.

Ela começa a juntar suas coisas, mas não sabe se deve fazer isso. Seu medo já foi embora, e agora lhe resta a sede de desafio, de vencer uma batalha que deveria ter começado há duas horas atrás. E é sua coragem quem vence a briga.

A faca enorme e cheia de sangue descansa sobre a mesa. Agora está feito, não tem mais volta.

- Ô mulher, a galinha ficou salgada!

Ele não sabe mesmo como é difícil matar uma galinha.

12.7.10

Segundo semestre, segundo post, segunda vida

Desde que me mudei de casa, muita coisa mudou - em praticamente todos os sentidos...
Não é mais a minha mesa de trabalho que mudou de posição. A geladeira, a televisão, o vaso, a minha cabeça... Cabeça?
A gente fica numa correria tão grande, batalhando pra tanta coisa, e chega uma hora que se pergunta: "Mas caramba, pra que eu to fazendo?"
O problema não é só o que você faz, mas pra que vc faz, entende? Estou nesse vôo solo há quase dois anos. Caramba, dois anos sem patrão... E a gente vai vivendo, vai levando. Mas pra quê isso?
Não pense você que estou pensando em parar. Ah, não senhor. Mas estou sempre reavaliando o custo das decisões que tomo. Acho que isso é ser um adulto responsável.
"Assumir a paternidade" da Sophia (www.sophia.ag) tem um peso enorme.
De lá pra cá, mudei demais. Ganhei peso, perdi peso, engordei de novo... me tornei mais manso, mais prestativo, mais amigo...
Foram dois anos de mudanças significativas em minha forma de encarar as pessoas, e também de ver o mundo. Observo atentamente o desenrolar da história, e a cada dia que passa, o Site da Baixada me mostra cada vez mais que estamos numa sociedade suja, sem muito amor, afeto, ou sinceridade. As pessoas, de forma geral, são movidas por interesse.
O que me incomoda nessa sociedade humana é essa coisa de só se aproximar a quem convém, tratar os humildes com humildade só pra parecer humilde, distribuir sorrisos por educação, puxar o saco de quem pode lhe trazer alguma vantagem comercial.
Gente, chega de comércio! Tô cansado dessa coisa!
Meio que saí do mercado, e isso me fez um bem danado. Ter me tornado "só mais um" me tornou um ímã de amigos verdadeiros.

Acho que hoje, mais do que nunca, amo minha esposa com tanta força que não sei explicar de forma alguma. Sempre a amei, óbvio, mas hoje, como nunca antes. Com o casamento ganhei uma grande companheira, que me atura, me aconselha, e, acredite, me ama! O casamento foi a coisa mais importante que me aconteceu no assunto "relacionamento".

Acontecimentos extremamente marcantes como esses me fazem parar pra refletir, e pensar mais e mais na vida e nos rumos que ela toma. Estou semper avaliando isso.

Mas o que acho mais legal em voltar a escrever aqui nesse blog é saber que depois de dois anos, eu consegui fazer a verdadeira mudança que precisava ter sido feita na minha vida:

Ter mudado. Em todos os sentidos.

2.4.10

"Sucesso" uma palavra bem relativa...

Muito tempo depois de meu último post, que fiz questão de não ler, estou de volta ao meu blog.
O sentimento de escrever o que penso "for fun" meramente voltou depois de dez segundos escutando "Por Favor Não Morra", do Lê Almeida. Sim, você ainda não conhece. Mas eu conheço, e conheço bem.
Muito gostoso pensar na palavra "sucesso" escutando essa música... Lembro de quando eu tinha uns dez anos de idade, brincava com o Leandro, jogava bola, a gente ia lá na casa dos meus pais e zuava pacas, fingia fazer dever de casa mas ficava mesmo era de papo, montava lego lá na casa dele... E o tempo passou...
Ontem peguei o ônibus com a Gisele, colega minha também dos tempos de escola. E começo a voltar no tempo, começo a viajar ao som de "Por Favor Não Morra", que passa a ter um som especial pra mim...
Leandro, o Guedes, foi pra vida militar e tá se dando bem. O Márcio Padilha virou gerente de loja e tudo, e a Carol tá no mesmo caminho. Nunca mais ouvi falar do Paulinho, meu grande amigo de infância. Felipe Lopes, meu companheiro de ilustrações, tá no Extra Supermercados. Adriana Pereira sempre vejo, mas nem sempre falo com ela, sempre passo correndo...
O som do Lê é diferente, é psicodélico, e me faz viajar. Tá tocando "Nunca Nunca". Esse myspace dele é cheio de coisas bacanas, cara!
Vanessa virou mãe. Renata Leite tá no Concer. Evandro foi assassinado, depois de ter assumido a homossexualidade tudo ficou mais difícil pro cara. Felipe Fernandes teve uns três filhos e mora mal, hahahah! Grande Fernandes, saudade das nossas loucuras. Charlô, ou Carlos Eduardo, era nossa grande esperança de sucesso, jogava muita bola, mas hoje trabalha no balcão da Casa do Alemão. Silvana se formou em Química. Dizem que Gutemberg virou bandido, vai saber. Ainda bem que a gente se dava bem, hehehe! :-D
Nunca mais vi muita gente. Ah, meus treze anos... Teve o Bruno Henrique, amigão! Portuga virou diretor já da Padaria. O Marcelo Ribeiro nunca mais vi, mas deve ter virado estrela do rock'n roll. Alexander tava na Fiocruz, ele era meu astro do time de futebol que fui cartola aos treze anos!
Tanta gente... Melhor parar por aqui, não cabe todo mundo, mas lembro da cara de todos, ou, da grande maioria.
Sucesso é uma coisa muito relativa. A gente pode medir de várias formas.
O meu sucesso é lembrar desses caras, e saber que passarei na rua daqui uns dez anos e vão lembrar de mim. Não o grande povão. Mas os meus verdadeiros amigos.

P.S.:
Sabe o ? Virou dono de selo de música, e em breve tá famoso, não se preocupe, você terá notícias dele :-)

15.11.09

Voltando (ou começando) a viver

Domingo, chuva, tempo ruim. Tudo pra terminar o dia meio pra baixo. Mas não tenho mais o hábito de deitar na cama e repassar boa parte do dia revisando coisas más que tenham acontecido ou que tenho feito.

Não que elas não aconteçam, mas dou muito menos valor aos meus problemas hoje em dia, e me esforço muito mais em ser uma pessoa um pouco mais, digamos, "temperada com sal", e não com tanta pimenta como era há um ano, seis meses, ou um dia atrás.

Fato é que hoje pouca coisa me aborrece. Devo isso ao fato de ter menos tempo para trabalhar e mais tempo para me divertir - mesmo que seja trabalhando. Oras, se você faz o que gosta, então você não trabalha - se diverte. Acha mesmo que quando um talentoso goleador faz o gol do título para seu time ele pensa "que bom, fiz meu trabalho"? Que nada, ele sente é a satisfação pessoal, alegria, espontaneidade, e toda aquela energia gostosa que envolve esse momento único.

E hoje vivo uma vida de um "eterno goleador do título". Cada dia, um gol. Não vejo mais como matar um leão por dia, e sim tentar fazer um gol por dia. E todo dia é decisão de campeonato...

Perdi 15 quilos, fiz novos amigos, aprendi um monte de coisas, e isso só me
custou um ano da minha vida. Um ano de aprendizado. É como se hoje eu fosse
outra pessoa. Hoje eu tenho o controle sobre mim em diversos aspectos.


Dou muito mais valor aos meus relacionamentos, e prefiro sempre ter um amigo ao invés de um colega do lado. Prefiro sempre terminar uma relação comercial com um aperto de mão e um novo amigo, afinal, contratos acabam, verbas diminuem, essas coisas...

Esses dias acho que perdi um amigo. Graças a Deus não pra morte, mas em compesação foi pra vida. Já estive na pele dele antes, quando detonei com uma amizade. Mas acho que fui mais cruel que ele, não sei. Ao passo que eu atirei pedras numa amizade, este amigo simplesmente não fez nada. Nem pedras. Nem um SMS, email, telefonema, msn, sinal de fumaça. Apenas um "não quero falar sobre o assunto.".

O que achei mais construtivo disso foi ver como é duro ver um amigo detonar uma amizade, e ver como dói. Vi nele como é ruim a gente perder tanto tempo trabalhando, e menos tempo vivendo. Era assimque eu vivia há um tempo atrás, e não via o verdadeiro valor que as pessoas têm nas nossas vidas, e o impacto que elas causam sobre nós.

Hoje eu vivo, agradeço a Deus por tudo, e também agradeço muito aos meus amigos. E sim, acho que Deus virou mesmo meu amigo. Tem acontecido um monte de coisas pra me derrubar, mas todo dia de manhã esse meu Amigo me acorda e é como se falasse "vai, cara, pega o que é teu, tá guardado aqui comigo, fica tranquilo, você não tá sozinho, relaxa, tô contigo".

Dou muito mais valor a relacionamentos, de uma maneira geral:
Trabalhos passam, pessoas ficam. Amizades verdadeiras se eternizam.



Foi assim com aquele colega que maltratei. Literalmente só Deus sabe o quanto chorei, como uma criança, dias depois quando refleti friamente. Eu me senti mal por alguns poucos anos, e sempre quis, quase todos os dias chegava perto de fazer, mas não tomava coragem de fazer: ligar e dizer "oi, cara, sinto sua falta, sua amizade sempre fui muito importante pra mim, e sem você por perto as coisas ficam difíceis".

É com os erros que a gente aprende, infelizmente. Achei lindo esses dias meu amigo que magoei ter me procurado. Lindo, não: foi mágico, foi eterno. E por alguns minutos me senti a pessoa mais feliz do mundo. Puxa, o cara me deu uma belíssima lição de humildade, e ao mesmo tempo de lealdade, amor, compreensão, coragem, e todas as qualidades que vc imaginar e não imaginar também.

Por um instante, aquele que um dia foi apedrejado por mim se tornou um verdadeiro mestre. Agradeço do fundo do meu coração por me dar uma segunda chance. Tivemos que passar um tempo enorme separados e sofrer muito de diversas formas longe um do outro, para ver a importância dessa amizade. E só eu sei como me sinto rico em tê-lo de volta.

Todo homem é um Rei. E cada amigo é uma extensão de seu reinado.
(essa frase é minha, não copiei por aí, hehe)

Apesar de eu estar muito feliz por ter hoje recebido quatro grandes pedaços do meu império megalomaníaco, sinto uma grande tristeza por ter perdido um terreno tão bom como esse que perdi há umas duas ou três semanas atrás...

...Mas essa noite vou dormir lembrando, mais uma vez, que meu Amigo Maior que me acorda de manhã me trouxe um velho e bom amigo de volta, e que poderei dormir como um rei.

Agora dá licença que minha jóia tá me esperando, antes que vire uma coroa... :-D

Abraços a todos os amigos, e aos raros desafetos.
Aos meus "ex-amigos", se essa lista for maior que apenas um, digo a vocês que a porta está sempre aberta, e que quero fazer parte do reinado de absolutamente todos vocês.

Pois vocês fazem falta no meu. Muita. É sério.

27.7.09

Nada melhor como trabalhar num escritório

Bom dia, meus amigos!

Semana passada terminou uma experiência inesquecível, onde trabalhei por duas semanas no PontoFrio.com como freelancer mesmo. Lá dentro mesmo, vendo a coisa acontecer, as pessoas negociando, planejando, pensando, correndo, colocando no ar, trocando preço, mandando news, criando, e por aí vai...

Fato é que foi recomensador ter um contato com o varejo. Saí mais sério de lá. Mesmo sendo tão pouco tempo, já me sinto mais objetivo, menos "firuleiro". E a mesmo tempo, mais experimental. Sim, experimental.

A ordem no varejo é "vamos testar, se não der a gente troca". E assim vai. Por isso os caras ganham muita grana - tem que ter muito foco e humildade pra aceitar que sua estratégia não foi boa.

E assim pratiquei mais um exercício pra minha pessoal, e só enriqueci.

Hoje, de volta pro home-office, percebo ainda mais o quão importante é estar cercado de gente competente e inteligente.

Me acostumei ao longo da minha carreira a ter gente muito melhor que eu ao meu
redor. Isso é bom. Mas nem sempre.
Sozinho, sentado na minha cadeira vermelha dentro do meu escritório todo equipadinho, há mais de quatro horas sem emitir um som, vejo que é mais fácil ser produtivo num ambiente mais propício a isso. Criei coisas bem legais no Ponto Frio, e preciso manter essa qualidade na Sophia. É um grande desafio, pelo menos para mim.

Sophia está aproximando do primeiro ano de vida. Apesar de eu não comemorar aniversários, essa data precisa ser lembrada.

20.6.09

No posts, no comments, nothing

A parte mais legal de se ter um blog voltado pra amigos e colegas é o fato de não ser uma atividade totalmente comercial. Usar seu blog para falar de seu próprio trabalho e a relação com ele te faz um profissional amigável, ou, em outras palavras, transforma seu canal de comunicação com o mundo num bate-papo interessante entre amigos.

Qualquer um que sabe ler e viu algo anterior, percebeu que mudei muita coisa na minha vida.
Mas o interessante é que hoje voltei a twittar, fiquei mais de um mês sem usar o brinquedo. Quase dois meses sem ler mta coisa ou nada de blogs, revistas, portais, ou quaisquer outras coisas ligadas à propaganda.

E o gostoso disso é que isso me tornou mais humano, mais afetivo, e, porque não, mais criativo.

Percebo que desapegar-se dos modelos vai muito além de fazer diferente. Desapegar-se é desapegar-se, ora bolas!

Se você não viu ainda uma coisa, você inventou. E sua chance daquilo ser uma coisa original se torna enorme! Ver aquele monte de referências só te faz babar o trabalho dos outros, e ficar se policiando pra não fazer igual. Só isso. Se for comparar, verá que te torna menos criativo :-D

Ok, colegas formados que investiram muita grana e tempo numa faculdade, atirem pedras, crucifiquem o gordinho! Não me importo. É verdade mesmo, vocês sabem disso bem lá no fundo.

O pulo do gato desse mundo é se antenar nas coisas sem se apegar.

Em breve quero postar alguns jobs que fiz aqui, especialmente os para o Ponto Frio. Tive algumas experiências enriquecedoras, como ensinar html para uma cliente, implementar alguns websites em wordpress, aprender after effects (ou o básico dele) e algumas outras coisas.

Pra quem estiver curioso, só visitar o www.sophia.ag
Tem os jobs do Ponto Frio e também um trabalho que ninguém soube que fiz pra uma agência da California, mas não podia publicar num período de dois anos por questões contratuais com eles...

Abraços a todos!